when i’m waking up. ela me acorda com um bom dia estranhamente sonoro e mais bonito do que devia. convalesço na cama e faço que vou me levantar. ela me diz pra ficar quietinho, que estou dodói, que vai pra aula e que vem pra almoçar. ela se despede saltitante e sorridente, depois de enfiar duas pílulas na minha boca, e algo naquele brilho infantil me faz suspeitar que assim que ela voltar vai me chutar nos rins e me fazer mijar sangue por dias. a idéia de me levantar parece ser a mais razoável. but i'm never as tired as when i'm waking up. i'm never as tired as when i'm waking up. but it feels like i'm in love again. oh it feels like i'm in love again. though it feels like i'm in love again. with what you do.
diante do que, volto a dormir e termino de suar a febre da manhã. lcd soundsystem arrebentando de leve os meus tímpanos. tento não pensar na maldade que senti passar pela porta, e desloco minhas lembranças, minhas melhores lembranças, para um local onde possa me sentir mais seguro. não encontro esse lugar. então me levanto, e penso no que fazer. começo a lavar a louça que forma pilhas na pia, ainda pensando no que fazer. pensar nunca foi algo tão difícil. minha decisão nunca me pareceu mais óbvia. minha cabeça está quente. meu corpo dói. sinto os olhos arderem, as pernas fraquejarem, e a recorrente sensação-fantasma de que meus rins serão espancados violentamente se eu voltar a dormir. então eles começam a doer também. acendo um cigarro. o gosto é terrível, e eu o arremesso pela janela. fico imaginando o que vai acontecer quando ela voltar. if we made it happen i'm sure what we would do. run outside and fuck someone to show it didn't mean a thing.
tento outro cigarro, e outro, e outro, e a cada tentativa mando uma fila deles pela janela, fazendo o cálculo mental de quanto tempo ainda me resta. pouco tempo. desde o início, sempre foi muito pouco tempo. a sensação-fantasma volta a doer nos meus rins. olho para a louça empilhada com raiva, e faço que vou derruba-la, mas minha covardia ou meu senso do ridículo me arrebata. deixo a porcaria da louça imunda como está, dou uma olhada no babaca do outro lado do espelho, e arrumo as minhas coisas. meus rins doem miseravelmente. sei que preciso ir agora, ou passar os próximos dias mijando sentado por causa da dor.
cambaleio até a porta, e lanço um último olhar vago para o colchão em desalinho no chão do quarto. tento me lembrar de quando foi que cometi o meu ultimo erro. talvez nunca, talvez hoje mesmo. percebo a armadilha dentro da reflexão, e me descubro mais cansado e febril do que supunha. wasted and complacent, and you about the same. but still i want to get it on with you tonight. when i was a little boy i laid down in the grass. i'm sure you'd feel the same if i could fuck you here tonight. but not with you (keep on telling myself it's true). but not with you (keep on telling myself it's true). but not with you (keep on telling myself it's true) but not with you. desço as escadas devagar, e o corrimão me escapa a cada lance. por fim, abandono até mesmo essa segurança frágil e me lanço numa corrida desenfreada para baixo, sempre para baixo, ganhando velocidade, vendo os degraus sumirem por baixo do meus tênis, sem nenhum medo de me estabacar e dar um fim ridículo à minha tentativa de salvar minha honra. uma risada de febre queima no meu rosto pálido e livre quando passo por ela, e quase não há espaço para nós três no corredor. ela solta as mãos do rapaz e tenta dizer alguma coisa, mas já estou longe demais para ouvir.
tolo, corro para casa, e continuo correndo como se pudesse correr para sempre. a rua é íngreme, e eu mal posso com o peso das mochila que me impele para baixo. tudo parece a cópia de uma cópia. meus olhos estão queimando. minha boca está seca. minha vida está uma desgraça. mas eu faço dela o que eu quiser. continuo correndo. faço da merda da minha vida o que eu quiser.
but not with you (just keep on telling myself it's true)